Monday, June 14, 2004

omda 100

Abaixo de águia

Upset

Upset em Inglês quer dizer “algo que aconteceu e que não estava previsto”. Em linguagem desportiva, na América, um upset significa que uma qualquer equipa desportiva com menos capacidades, menos qualidade ou menos valor, vence uma equipa manifestamente superior. Os Pistons estarem a ganhar aos Lakers, é um upset (NBA). O Mickelson ganhar ao Tiger Woods (golfe) é um upset. Etc, etc. Muito bem. Aquando da minha entrada no Laboratório no Sábado) levo com a palavra upset antes de poder saborear o meu café da manhã. “A Grécia ganhou a Portugal, o que é um upset”. Diz logo um colega meu, mais feito nestas coisas do soccer, “olha lá Ricardo, quando Portugal perdeu com os USA no campeonato mundial, isso é que também foi outro upset.”. Extraordinário. Sou alvo de comentários jocosos por parte de pessoas que conhecem futebol, com nós conhecemos baseball em Portugal. Excelente. Eu bem me esforço para salvar o nome da pátria, mas em vão. Eu bem tento explicar que Portugal sempre se engasga (choke no original – outra gíria desportiva aqui) nestas alturas, tento explicar que o problema é mais de mentalidade do que perícia caneleira ou xuto na bola. Tento dizer que faz parte do nosso vocabulário o termo “para a próxima é que é”, sendo neste caso, o próximo jogo. E que “enquanto há vida há esperança”, tentando ao mesmo tempo não soar muito como o Herman José “let’s look at the trailer”. E eles olham para mim, com um misto de incompreensão simpática e divertimento escondido. E eu penso para mim mesmo “que raio de sina esta, a do Lusitano”

Friday, June 11, 2004

DNA

Ontem, ao fazer uma anlise clinica aqui no Laboratorio, vi pela primeira vez uma cadeia de DNA ao vivo, suspensa numa solucao aquosa. Magico. Sem duvida. Tal como estamos habituados a ver nas fotografias e nos filmes, a cadeia enrola-se em si mesma devido as ligacoes entre os amino-acidos. O bloco essencial para a vida humana, ali, tao realista e verdadeiro.
R

Sunday, June 06, 2004

Olha eu todo contente (e gordo, pareco uma lontra) Posted by Hello

Resposta a Carlos Pinto

A liberdade de imprensa na América é inigualável. Não acho que exista outro sistema no mundo que encoraje as coisas que aqui se vêem e ouvem. Primeiro porque a maior parte dos países têm mecanismos de controlo da imprensa muito desenvolvidos. Seja através do controle do Governo na imprensa do Estado (como na maior parte da Europa) seja através do totalitarismo político (América do Sul, Ásia) ou religioso (Médio Oriente) ou simplesmente porque não é importante (países onde há mais que pensar que liberdade de imprensa). Uma das raízes mais fortes neste país é a separação entre Estado e sociedade civil, e especialmente, com a imprensa mais liberal. Exemplos? Basta ouvir as estações de rádio National Public Radio ou Free Radio. Alias, a liberdade de expressão até causa exageros hilariantes. Se prestar-mos atenção (e há muitas pessoas que o fazem) a estas rádios o Governo da América come crianças iraquianas ao pequeno almoço, mentem a todos os Americanos, mentem a todos os seres humanos no planeta, estão cá para nos oprimir, controlar, intimidar, encarcerar, obliterar, e mais todas as coisas que possam ser negativas e acabam em “ar”. Até mesmo na TV temos esses exemplos, de um lado e do outro. Temos a FOX que quer elevar o Bush a Papa, líder da ONU, Presidente vitalício da América, Imperador Mundial, e de todo um gajo porreiro, até à C-Span que passa excertos dos telejornais da Síria, Irão, Cuba, Somália, e qualquer outro pais que queira falar mal dos Estados Unidos.

omda 99

Acima de águia

O dia depois de amanhã.

Brilhante! É a primeira palavra que me ocorre. Digamos que não é a critica cinematográfica mais desenvolvida de sempre, mas é aquela que é a mais genuína. O filme The day after tomorrow consegue arrancar todas as emoções que esperamos ter pelo dinheiro que dêmos. Deslumbre, fascínio, entusiasmo, preocupação, e até mesmo um tema de reflexão depois do fatal “the end” na tela. Para muitos encarado como um filme de ficção científica alarmista, para outros, um aviso realista do que pode acontecer se continuarmos a ter o estilo de vida que temos. Eu tremo. Mantermos os níveis de emissão de poluentes? Mantermos os níveis de utilização de combustíveis fosseis? Continuarmos com os mesmos níveis de consumismo? Com a China a transformar-se num novo Estados Unidos da América?! Com a venda de carros que acontece nesse país? Já neste momento, o preço elevado do crude é explicado pela OPEP com o aumento da procura na Ásia. The day after tomorrow mostra uma realidade que nos afecta a todos, nem que seja pela descendência que temos (ou queremos ter). E apesar da “verdadeira” ciência dizer que um cataclismo desta natureza poderá acontecer daqui a centenas de anos, não deixa de ser um período muito curto. Certas cenas ficam na memória por muito tempo: Califórnia devastada por furacões, Nova York coberta de gelo, “refugiados” em países do hemisfério do sul. Aviso para quem está em Portugal, deixai-vos estar. Aviso para todos aqueles que vivem mais a norte... estejam atentos ao noticiário meteorológico. Quanto ao filme, já fazia algum tempo que não me sentia tão arrebatado com uma história. Obrigatório.


Águia

Lord Stanley Cup

As finais de hóquei em gelo ocupam os meus momentos de lazer. A famosa Stanley Cup. Onde desporto se confunde com paixão, onde dedicação e esforço se mistura com agressividade e perícia. Este ano com o extra das duas equipas na final serem de países diferentes, e como tal haver uma rivalidade acrescida. Os Calgary Flames do Canada e os Tampa Bay Lightning dos USA disputam aquele que é o troféu mais antigo da América do Norte. Do jogo há muito para dizer, mas uma das frases mais emblemáticas foi dita uma vez por Rodney Dangerfield: “Fui ver um combate de pesos pesados, e no meio irrompeu um jogo de hóquei”. Eu adoro o jogo, Rápido, espectacular, intenso, combativo. Mas na América tudo gravita à volta do mighty dollar. E a liga (National Hockey League) está ameaçada de extinção por causa da margem de lucros estar a ser cada vez menor. Os contratos televisivos não são tão elevados como se esperava, as empresas não investem tanto no desporto como investem na NBA e na NFL. Os grandes mercados estão saturados com oferta de entretenimento. E um desporto que podia ser um veiculo de multiplicidade (uma grande parte dos jogadores são europeus, os jogadores negros começam a ganhar protagonismo, Canada e América estão ao mesmo nível) vai se desfazer por causa de “valores mais altos”. E é uma pena.


Abaixo de águia

CK

Não, não é uma crónica sobre Calvin Kline. Neste caso vou falar sobre Creatina Kinase. Uma coisa chatíssima. Uma análise clínica de fazer morrer de aborrecimento uma pedra da calçada. A enzima em questão é um marcador de dano (damage marker no original). No caso de uma pessoa ter um ataque de coração, ou estar envolvido num impacto violento, este marcador é analisado para se ver a extensão do dano causado. Normalmente, os valores de CK mostram como o corpo reagiu ao trauma, e como está a processar-se os habituais mecanismos de recuperação. Valores muito elevados podem indicar uma extensão de dano muito elevado, o que não é um bom sinal, uma vez que o corpo precisa de fazer um grande “esforço” para recuperar. A análise clínica é tão morosa que nem vale a pena ser descrita. Mas uma das coisas que resultou da análise foi deveras impressionante. O grupo de participantes que estamos a estudar são os jogadores de futebol americano da Universidade. E certos jogadores, após um jogo de futebol, têm tanto dano no corpo... como vitimas de acidentes de carro! É o preço que se têm de pagar para se ter uma carreira nesse desporto. Brrrrrr.

Thursday, June 03, 2004

Uma opiniao publicada no site do JPC - jpcoutinho.com

AO LER A CRÓNICA DO CARLOS, o meu sangue ferve. Não por causa da opinião do Carlos, claro. Estou totalmente de acordo com a sua análise e as suas conclusões, mas por causa do tema: obesidade. Esta é a minha área de investigação, e também de preocupação. O Carlos apresentou algumas das razões absurdas que a sociedade tentar criar para explicar a epidemia da obesidade. Posso até acrescentar mais algumas: o fantasma genético (ler Claude Bouchard ou Per Bjorntorp) ou as teorias de regulação de peso corporal (James Hill) ou o metabolic imprint do processamento de macro nutrientes. Mas a verdade é muito mais simples que isso. Não se pode ingerir mais calorias do que as que gastamos. Não se pode comer que nem um javardo enquanto se muda os canais na televisão. Ponto final, parágrafo. Claro: pode-se sempre apontar o dedo às grandes companhias alimentares, que continuam a aumentar os níveis de açúcares e gorduras na comida. Podemos até falar da industrialização da sociedade e da redução da actividade física. Podemos falar nessas coisas todas, mas a raiz do problema (como o Carlos referiu) é o abusar da fartura. É a inconsciência do indivíduo e a desresponsabilização do Estado. Aqui na América, ainda se percebe, a saúde é paga e bem paga (e mesmo assim as pessoas não se interessam! A não ser quando acontece o primeiro enfarte de miocárdio), os lobbies são poderosos, a publicidade esmagadora, etc. Mas em Portugal, não se pode cometer os mesmos erros que nos EUA, nem que seja pelos custos que isso vai trazer para o Estado. As companhias de fast food e de video games vieram substituir os hábitos saudáveis que existiam antes (e não é preciso ir muito atrás, a década de 80 serve perfeitamente) o que causa o disparar de valores de obesidade em crianças. Crianças essas que serão os doentes daqui a 20 anos. E o que faz o Estado Português? Esconde-se timidamente em «Dias do Coração» e da «Obesidade» e em campanhas inconsequentes aqui e ali. Em Portugal existe alguma cultura de saúde? De prevenção? De esclarecimento? De hábitos, de exercício e saúde? Infelizmente, tudo isto resulta numa frase que um amigo meu em Lisboa uma vez me disse: «Quantos mais obesos houver, mais trabalho há para nós. Do que te estás a queixar?». E é triste que seja a verdade.
Ricardo Silvestre /3-6-04

Tuesday, June 01, 2004

Verao em Connecticut Posted by Hello

omda 98

Olá pessoal

Com a entrada do mes de Junho (que começa a ser associada ao famoso fim de semana do Memorial Day – e continua a ser interessantíssimo ver como lida a América contemporânea com a questão do heroísmo de morrer em combate em nome da liberdade e o American Way) estou a começar a entrar em estágio para o meu regresso a Portugal. Após tantos meses de estadia aqui, estou pronto para voltar a Lisboa, Cascais, Atrozela, Porto Covo. Tudo sítios de que tenho saudades. Saudades inesperadas, mas bem vindas. Vontade de estar com a família e amigos, e poder fazer todas aquelas pequenas coisas, que ganham tanta importância depois de tanto tempo sem as ter. Jogar basketball com os amigos, almoçar na Praça das Flores, comer um gelado na Santini, apanhar sol em Areias Brancas. Está tão perto que consigo sentir o gosto.

Entretanto as coisas avançam normalmente por aqui. O meu primeiro artigo científico começa a mostrar os contornos finais, e está para breve ser submetido a um jornal da especialidade. Outra boa noticia é que fui convidado para ser um revisor de artigos científicos para o conceituado jornal de Medicina e Ciência em Desporto e Exercício (Medicine & Science in Sports & Exercise – no original). Não vou aqui aborrecer-vos com a importância deste convite, e com a honra que é fazer parte do conselho científico daquela que é uma das publicações mais conceituadas a nível mundial, mas apenas dizer que, com o sucesso, aumentam as responsabilidades. E aqui entre nós, que mais ninguém está a ler, acabei e recusar um artigo submetido para apreciação por causa de uma incorrecção ética que não pode ser aceite numa publicação científica. O que salva a coisa é que, o autor de um artigo nunca sabe que é que é o revisor do mesmo, senão, começava a receber e-mail pouco agradáveis... estou a brincar.

E ao actualizar o meu relatório de actividades anual (obrigações institucionais oblige) começo a ver algum dos frutos da minha estadia aqui. Pena é que, o mais certo é ter todo este currículo... para concorrer à EB 2.3 da Picheleira : (

Enfim.
E hoje temos crónicas. Já fazia algum tempo que não escrevia neste formato, como tal, cá vai.

Abaixo de cão
Dor de dentes

Localizada. Intensa. Incomodativa. Mais uma vez a experiência de ter uma infecção na raiz do dente fez as delícias aqui do vosso correspondente. Mas não escrevo isto para fazer queixas, apenas para constatar mais uma vez o obvio. O excesso de capitalismo também não é a solução. Para reparar um dente neste país, ficava-me mais barato ir a Portugal, desvitalizar o dente, e voltar para a América, do que trata-lo aqui. E todos aqueles que não podem ter seguro de saúde dentário? Todas as minorias que não ganham assim tanto para poderem pagar quase 10 contos por mês para ter um desses seguros? Essas pessoas acumulam-se numa sala de espera de uma Escola de Medicina Dentária, onde três dezenas de pessoas esperam pacientemente par serem atendidas na base do “quem chegou primeiro é atendido primeiro”. Para um Português a coisa não é muito diferente de ir a uma urgência no Centro de Saúde de Alcabideche, mas aqui, a sensação que se têm é que pertencemos a uma casta inferior da sociedade.

Cão
UConn em Junho

A Universidade parece uma cidade fantasma. Com o final das aulas, os milhares de alunos vão para casa, e quem fica por aqui são os alunos de Doutoramento, os Professores e os funcionários. Numa Universidade como a Faculdade de Motricidade Humana, só estes davam para encher um terço da escola, mas claro, o mesmo não se passa aqui. A Universidade é um grande espaço vazio, entrecortado por jardineiros atarefados a cortarem relva, compor os canteiros, a limpar os passeios. Os edifícios brilham com a luz do sol reflectida nas fachadas envidraçadas, os esquilos e os pássaros mostram o contentamento com o chegar do Verão. Algumas pessoas (poucas) correm, outras sentam-se na relva, outras procuram uma sombra e lêem um livro. É incrível como esta terra sobrevive ao Inverno. E não exagero. Mas depois de tanto cinzentismo, tanto frio e desolação, é bom ter o Verão de volta. É pena é o preço que têm de se pagar, com tantos meses de Inverno.

Acima de cão
FCP

Pooooooooooooooorto. Ok, ok. Eu não sou fê-cê-pê (alias, soccer começa a ser uma memória perdida num turbilhão de tanto desporto made in USA), mas sendo Português (especialmente aqui nas terras da América, onde a falta de reconhecimento do resto do mundo, ou pelo menos aquele que não interessa directamente aos Americanos, é gritante) é sempre bom ver o nome de Portugal a ser pronunciado na televisão. E ainda por cima, naquele que é o segundo canal de desporto mais visto por aqui (a ESPN2, o equivalente a CNN só de desporto). E que delicia ver os comentadores a falar do nosso país. Claro que o tema era da noite era o EURO, mas qualquer coisa serve. Infelizmente (ver o abaixo de cão), por causa de tanto desconforto, e de duas noites seguidas sem o descanso devido, na quarta-feira, quando me instalei confortavelmente num dos cadeirões que temos no laboratório, só consegui “sobreviver” à primeira parte. Com o intervalo, infelizmente, vi o jogo “para dentro”. Adormeci, ignominiosamente, com uma falta de patriotismo e desportivismo vergonhosa. A 5 minutos do fim sou acordado por um colega meu, que me transmitia os seus parabéns. “Obrigado”, dizia eu. À espera de ver a taça a ser erguida mais uma vez pelos azuis e brancos, pensava que tenho de pedir a um dos meus amigos que tenha gravado o jogo, para me mostrar os dois golos da segunda parte. Oh well. Apanho uma barrigada de golos agora a partir de Junho.

Carpe diem, esta é a nossa vida e termina a cada minuto que passa.
Ricardo Silvestre

omda 97

Olá pessoal.

Que deserto de novidades desse lado... já está tudo de férias, é?! E ainda por cima nem esperam por mim, nem nada. Não que as coisas também estejam muito exigentes por aqui. Caminha-se calmamente para mais um Verão que promete ser bem mais simpático que a todos estes meses que passaram com temperaturas tão baixas. Eu sei que sou repetitivo, mas também vocês o seriam se tivessem que passar por Invernos destes (com algumas excepções, nomeadamente quem está ainda mais a Norte que eu! Brrr

Entretanto, as noticias por aqui continuam a ser de uma preocupação acrescida, uma vez que há muito receio que, com o aproximar de datas importantes para este pais (estou a pensar no Memorial Day, ou no 4 de Julho, começam a haver avisos que poderão haver bombistas suicidas nas ruas das grandes cidades, e que locais como Nova York, ou Washington ou Bóston se transformem em Tel Aviv. E eu que estou a menos de um mês de passar 4 dias em Nova York para a tal conferencia de que vos falei.

E o mais ridículo é que, nas grandes metrópoles, são mais os que se opõem ao Presidente Bush, do que os que estão de acordo. Eu noto isso nas conversas que tenho com Americanos ou simplesmente vendo as notícias nos vários canais de TV. Mas um terrorista não vê corações, imagino eu. Só caras. Portanto, já sabem. Se as últimas novidades que tiverem de mim, era que estava a passear na 5av e um fanático qualquer arrebentou comigo e com mais uma dezena de pessoas, espero que compreendam o porque de eu acreditar que o extremismo muçulmano têm de ser erradicado.

A outra notícia preocupante é o preço elevado do petróleo. Que nos toca a todos, e que nos leva o dinheirinho que tanto faz falta. Oh well! E ainda por cima preciso de comprar o bilhete de avião para voltar. Talvez venha a nado desta vez.

E estou a transformar-me num bioquímico de primeira... não sei muito bem de primeira que, mas também isso vai evoluindo. Sabia que havia muito para estudar no funcionamento do corpo humano, mas nunca pensei que tivesse de o estudar tanto para o saber. Isto mais parece um curso de medicina do que uma especialização em Fisiologia do Exercício. Mas, não me estou a queixar!! Na!

E por esse lado? Tirando a preparação para o Euro, as remodelações ministeriais (pela calada da noite como disse o PS), e os tabus presidenciais, alguma coisa interessante para relatar? Ou é o meu regresso que vai animar o país?! Hummmm?

Ok, chega de parvoíces... fica só uma última palavra para dizer que... falta menos de um mes para voltar a Lisboa!!!! Hurraaaahh!! Que saudades!

Ate breve
Carpe diem, esta é a nossa vida e termina a cada minuto que passa.
Ricardo Silvestre

omda 96

Olá pessoal

Durante este fim-de-semana aconteceu algo verdadeiramente sensacional. Algo tão apreciado quanto encantador. Dos confins do armário da casa de banho, tirei cá para fora o meu protector solar (que delicia ler as recomendações em Português) besuntei-me com creme Nívea, estendi a cadeira de praia no alpendre da minha casa, meti os pés por cima do varandim de madeira (a minha casa é do estilo colonial, com aqueles pátios feitos de madeira) e aproveitei o sol do norte da América, com o bónus de estarem temperaturas na casa dos 30 graus. Devo confessar que, durante algum tempo, nestes ultimos seis meses, cheguei a acreditar que, calor era uma coisa artificial, proporcionada por uma caldeira, ou por sistemas de água aquecida. Cheguei a pensar que as minhas recordações de dias de calor numa qualquer praia de Portugal não eram mais do que memórias falsas, implementadas por algum hipnotizador que me tinha feito um favor. Com uma bebida e o livro de bioquímica, passei umas horas bem simpáticas durante estes últimos dias. Alias, a Primavera veio com uma força respeitável. Voltei a dar mas minhas tacadas de golfe, voltei a dar as minhas corridas à beira do lago, as aulas já terminaram e o trabalho no laboratório está mais calmo. Já está no ar o cheirinho a Junho, e com o cheiro a Junho aproxima-se também o cheiro a mar, a verde da serra de Sintra e a costeletas de borrego feitas pela D. Lurdes.

Entretanto, investe-se forte na bioquímica, que será a próxima grande etapa neste percurso académico. Quem se lembra ainda das minhas queixas no princípio desta aventura com a cadeira de Neurobiologia. Pois vai ser a mesma coisa. Mas, mais sobre isso no final deste e-mail.

Entretanto, aproxima-se também um momento importante, onde vou ter uma reunião com os meus dois orientadores para discutir... a minha tese de Doutoramento. Faz um pouco de pena começar já a escrever estas coisas. Mas já estamos no final do meu segundo ano, e pode não parecer, mas metade deste projecto já se esfumou. A reunião já está marcada, para dia 7 de Junho, e entretanto já trabalho na apresentação para essa reunião. Tópico da apresentação? “Dieta com baixos valores de carbohidratos e exercício. A esperada solução mágica para perda de peso”. Ok, ok. Não é bem assim o título. Mas a ideia é mesmo essa.

Por falar nisso, estive a actualizar o meu currículo (obrigações institucionais oblige) e pelos vistos, o tal primeiro artigo já está para aparecer... hurrah! Neste momento, estão 3 artigos submetidos em revistas cientificas, e mais tarde ou mais cedo, um deles será aceite e publicado. Maravilha! Mas já chega de baba.

As minhas declarações políticas podem ser lidas no site do JPC, principalmente por causa do assunto da guerra no Iraque. Para os aficionados. Também para os maluquinhos destas coisas, I HATE THE LAKERS!!

Ok, fico por aqui. Espero que esteja tudo bem por aí. Contem coisas.
Beijos para elas, abraços para eles.
Carpe diem, esta é a nossa vida e termina a cada minuto que passa.
Ricardo Silvestre

omda 95

Olá pessoal

Maio. Por aqui, neste momento, está Inverno. Ou pelo menos o Inverno que conhecemos em Lisboa. Chuva fria, céus enublados e essas coisas que estamos habituados. Claro que, para esta gente é Primavera, e da mais simpática possível. Por mim, podia estar melhor. Mas é sempre bom ver água por todos os lados. O lago cheio, os rios a correrem rápido, e o cheiro a terra e relva molhada. Mas também não é preciso tanta chuva. Na última semana, tivemos uma queda de água tão forte que tiveram de encerrar a estrada que cruza o lago de Mansfield (a cidade aqui ao lado). E até mesmo em sítios quentes, como o Texas, têm havido inundações e outras coisas medonhas. Mas para animar as coisas, Junho já está à porta, assim como uns dias valentes passados na Costa Vicentina. Eu sei, eu sei!

Não têm havido muitas razões para escrever, uma vez que as coisas têm sido uma sucessão de tarefas e funções que não acrescentam nada ao que tenho escrito ultimamente. O meu desempenho no laboratório continua a exceder as minhas mais optimistas expectativas. A minha precisão como técnico de laboratório é inacreditável para alguém que não têm (não tinha) feito nada igual antes. O meu erro de variação em análises clínicas ronda valores excelentes (4% de erro em analises desta natureza é considerado como “muito bom”), a minha participação no Congresso de Biologia Experimental foi um sucesso, e já fui convidado para participar em outras conferências, nomeadamente Nova York e Minnesota. Só falta mesmo é o caraças do primeiro artigo com o meu nome na lista de autores para ter o tal OMDA comemorativo que passo o tempo toda a falar. Está para breve. As aulas já terminaram (hurrah por isso) e devo ter as boas notas do costume. No entanto, nada de entusiasmos. Estamos a meio desta aventura, ainda muita coisa terá de acontecer até ao dia da defesa da tese de Doutoramento (que já começa a ter contornos, mais sobre isso num próximo OMDA)

A coisa podia estar melhor por aqui a outros níveis. Os acontecimentos no Iraque inundam a TV a todos os momentos. Os preparativos para a campanha eleitoral estão a avançar e a coisa promete ser mais desinteressante e baixa possível. A minha principal fonte de divertimento perdeu entusiasmo ao ver as minhas equipas favoritas a serem eliminadas das fases finais (por falar nisso, parabéns aos adeptos do FC Porto). E não há nada no cinema (no entanto, muito bom o filme Kill Bill) que seja de jeito, e temos todos de esperar pelo Aranha agora no meio do mês de Maio.

Recebi uns e-mails interessantes com respostas ainda mais interessantes sobre sucesso e desejar sucesso para as pessoas que gostamos. E como é assim que deve ser, também eu envio parabéns e contentamento por alguns dos mais bem sucedidos projectos que leitores destas linhas têm o prazer de me contar, seja ciclos de conferências, seja listas de espera em consultórios, seja Doutoramentos no estrangeiro ou mestrados em Portugal. Ou até mesmo maravilhosos dias na praia, com pássaros a cantarem nas falésias.

E com o aproximar das férias do Verão, aproxima-se também o completar de metade desta aventura, E também algumas mudanças. Fiquem bem, portem-se mal!

Carpe diem, esta é a nossa vida e termina a cada minuto que passa.
Ricardo Silvestre