omda 99
Acima de águia
O dia depois de amanhã.
Brilhante! É a primeira palavra que me ocorre. Digamos que não é a critica cinematográfica mais desenvolvida de sempre, mas é aquela que é a mais genuína. O filme The day after tomorrow consegue arrancar todas as emoções que esperamos ter pelo dinheiro que dêmos. Deslumbre, fascínio, entusiasmo, preocupação, e até mesmo um tema de reflexão depois do fatal “the end” na tela. Para muitos encarado como um filme de ficção científica alarmista, para outros, um aviso realista do que pode acontecer se continuarmos a ter o estilo de vida que temos. Eu tremo. Mantermos os níveis de emissão de poluentes? Mantermos os níveis de utilização de combustíveis fosseis? Continuarmos com os mesmos níveis de consumismo? Com a China a transformar-se num novo Estados Unidos da América?! Com a venda de carros que acontece nesse país? Já neste momento, o preço elevado do crude é explicado pela OPEP com o aumento da procura na Ásia. The day after tomorrow mostra uma realidade que nos afecta a todos, nem que seja pela descendência que temos (ou queremos ter). E apesar da “verdadeira” ciência dizer que um cataclismo desta natureza poderá acontecer daqui a centenas de anos, não deixa de ser um período muito curto. Certas cenas ficam na memória por muito tempo: Califórnia devastada por furacões, Nova York coberta de gelo, “refugiados” em países do hemisfério do sul. Aviso para quem está em Portugal, deixai-vos estar. Aviso para todos aqueles que vivem mais a norte... estejam atentos ao noticiário meteorológico. Quanto ao filme, já fazia algum tempo que não me sentia tão arrebatado com uma história. Obrigatório.
Águia
Lord Stanley Cup
As finais de hóquei em gelo ocupam os meus momentos de lazer. A famosa Stanley Cup. Onde desporto se confunde com paixão, onde dedicação e esforço se mistura com agressividade e perícia. Este ano com o extra das duas equipas na final serem de países diferentes, e como tal haver uma rivalidade acrescida. Os Calgary Flames do Canada e os Tampa Bay Lightning dos USA disputam aquele que é o troféu mais antigo da América do Norte. Do jogo há muito para dizer, mas uma das frases mais emblemáticas foi dita uma vez por Rodney Dangerfield: “Fui ver um combate de pesos pesados, e no meio irrompeu um jogo de hóquei”. Eu adoro o jogo, Rápido, espectacular, intenso, combativo. Mas na América tudo gravita à volta do mighty dollar. E a liga (National Hockey League) está ameaçada de extinção por causa da margem de lucros estar a ser cada vez menor. Os contratos televisivos não são tão elevados como se esperava, as empresas não investem tanto no desporto como investem na NBA e na NFL. Os grandes mercados estão saturados com oferta de entretenimento. E um desporto que podia ser um veiculo de multiplicidade (uma grande parte dos jogadores são europeus, os jogadores negros começam a ganhar protagonismo, Canada e América estão ao mesmo nível) vai se desfazer por causa de “valores mais altos”. E é uma pena.
Abaixo de águia
CK
Não, não é uma crónica sobre Calvin Kline. Neste caso vou falar sobre Creatina Kinase. Uma coisa chatíssima. Uma análise clínica de fazer morrer de aborrecimento uma pedra da calçada. A enzima em questão é um marcador de dano (damage marker no original). No caso de uma pessoa ter um ataque de coração, ou estar envolvido num impacto violento, este marcador é analisado para se ver a extensão do dano causado. Normalmente, os valores de CK mostram como o corpo reagiu ao trauma, e como está a processar-se os habituais mecanismos de recuperação. Valores muito elevados podem indicar uma extensão de dano muito elevado, o que não é um bom sinal, uma vez que o corpo precisa de fazer um grande “esforço” para recuperar. A análise clínica é tão morosa que nem vale a pena ser descrita. Mas uma das coisas que resultou da análise foi deveras impressionante. O grupo de participantes que estamos a estudar são os jogadores de futebol americano da Universidade. E certos jogadores, após um jogo de futebol, têm tanto dano no corpo... como vitimas de acidentes de carro! É o preço que se têm de pagar para se ter uma carreira nesse desporto. Brrrrrr.

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