Debatelogia 2
Bush e Kerry, round 2. Novamente toda a pompa e circunstância. Novamente mais do mesmo. “Você fez erros catastróficos”, “você têm mudanças de posição a granel”. Durante a primeira meia hora cheguei-me mesmo a interrogar se não estavam a passar a repetição de Miami. Mas não. O design inteligente do debate, com as perguntas a serem feitas pelo público, era a única coisa que destoava, uma vez que as respostas previsíveis se sucediam em catadupa. Os dois candidatos começaram exactamente da mesma maneira que deixaram o último debate, Kerry muito articulado e muito vazio de substância, Bush com a crispação e simplicidade do costume. Mas desta vez foi interessante ver o Presidente a ganhar entusiasmo, a melhorar claramente o seu desempenho: boas respostas, comentários acertados, demonstrações de conhecimento dos dossiers. Kerry, a partir do meio do debate ficou nervoso, gaguejou aqui e ali, não satisfez na questão do aborto, das “embrionic stem cells”, na questão do aumento da despesa e da redução de impostos. No final, Bush conseguiu um empate técnico com o Democrata, o que já não é nada mau. Mas bom, bom, foi o Kevin Brown ajudar os Yankees a ganhar mais um jogo contra os Twins. Biologia é destino? Não há nada melhor para ajudar a provar isso do que homens crescidos com tacos na mão. A política pode ficar com metade do televisor.

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