Debatelogia
Coral Gables, Miami FL. Num cenário típico para este estilo de coisas, Kerry e Bush mediram forças frente a frente pela primeira vez perante uma América que não sabia muito bem se queria ver o debate ou o jogo de futebol Americano Universitário na ESPN. Mas a coisa lá se desenrolou (sobre a sóbria moderação de Jim Lehrer da PBS) com mais ou menos protestos por parte dos televisores, nada habituados a ter de emitir uma imagem tão parada durante tanto tempo. Kerry estava claramente “laranja”, e não falo de convicções políticas, mas de um bronzeado assim para o artificial, enquanto Bush era mais avermelhado de irritação, não tanto por ter de se explicar ao povo Americano, mas mais por falta de paciência para estas coisas da política e do diálogo. As duas cassetes emperraram a certo momento, com Kerry a dizer que a intervenção no Iraque tinha sido um “erro colossal” e que os “Estados Unidos precisam de encontrar o Osama”, enquanto o Bush, estilo misturadora insistia que não se pode enviar “mixed messages” para os aliados, para os Iraquianos, para os três porquinhos, e “que a liberdade irá reinar”. O senador Kerry lá deu umas cambalhotas, uns mortais à retaguarda, e disse que as suas posições eram consistentes, quando diz que não ia para a Guerra do Iraque, mas que o mundo está melhor sem o Saddam, quando diz que está a favor do reforço militar Americano mas que ao mesmo tempo votou contra uma decisão no Senado para aumentar o orçamento da Defesa. O Presidente lá se retorcia todo com tanta mudança de posição do Senador, mas este último mantinha-se impassível com as respostas do Republicano, se calhar por causa do Botox que lhe impede qualquer expressão facial mesmo quando Bush tropeçava frequentemente nas explicações de qual o plano de saída para o Iraque. Dois momentos foram hilariantes: Bush afirmando que Kerry se “estava a esquecer da Polónia na coligação”; Kerry dizendo que os “Estados Unidos precisam passar por um exame mundial antes de intervir”, No final, pouca novidade, pouca substância, e mais opiniões sobre os truques televisivos, a cor da gravata ou a roupa utilizada pelas esposas dos candidatos, e a convicção que os Democratas vêm Bush como um cowboy aparvalhado, enquanto os Republicanos vêm Kerry como um tecnocrata fraco e dialogante. Próxima paragem, “domestic issues”. We can’t wait.

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