Decision 04
Uh, oh.
“Bush wins, Kerry concedes”. A América acordou com a certeza do que já se suspeitava as 2 da manhã do dia da eleição. Ohio estava estatisticamente fora do alcance dos Democratas, e como tal, o Colégio Eleitoral estava entregue aos Republicanos. Mas o dia não foi todo assim. Pelas 3 horas, o eixo NY-Boston vibrava com a ideia que Kerry podia, afinal, ter ganho a eleição. O que causou isso foi as “exit polls”, que estranhamente, acertaram todas ao lado. Pior que isso foi os “blogues dos liberais” que começaram logo desde cedo a cantar hossanas à vitória (esse pode ser um assunto para o João explorar). A TV apanhou o “vírus” e começou a reportar os números e a vitória anunciada. A coisa chegou mesmo ao ponto da Susan Estrich da FOX News dizer: Either the exit polls are completely wrong or George Bush loses". Claro que, pela mesma altura, a NBC, a CBS e a ABC já lançavam foguetes, e dedicavam todos os comentários aos resultados provisórios. Erro crasso. À medida que os resultados finais começavam a aparecer, era fácil ver que havia algo que não batia certo, e era fácil de perceber que afinal, a celebração era prematura. Não é que eu seja Republicano (ou Democrata), mas foi engraçado ver os Brad Ismus, Al Franken, Tom Brokaw, Peter Jennings a engolirem sapos do tamanho das luzes dos estúdios. Já para não falar naqueles que tiveram a pouca vergonha de se meter onde não devem, e depois refugiarem-se nas suas mansões de Hollywood (Michael Moore, Bruce Springsten, Alec Balwin e outros).
Resultado final. A maior percentagem de votos (60%) em mais de três décadas (o que é um sinal interessante para aqueles que me dizem que os “Americanos são uns burros”), o que mostra que por aqui, as pessoa estão atentas à política domestica e internacional, e que resolveram que, os dois candidatos tinham o mesmo para oferecer. Dai a quase igualdade. A diferença poderá ter sido o facto de Bush ser visto como o candidato com mais determinação para lutar contra o terrorismo. Kerry pareceu um candidato “fraco”, muito dialogo e compromisso, num país onde existe uma cultura de acção. O voto popular foi para Bush, com aumento nos votos das minorias, urbanos e mulheres. Claro que a direita religiosa também fez o seu trabalho. Mas isso era de esperar.
O futuro? “Hate to say I told you so”. Era evidente para mim que Bush ia ganhar (e tenho testemunhas) mesmo sabendo que a diferença ia ser mínima. E agora? Agora é o tenho apresentado há já algum tempo. “Run, Hillary, run!” O futuro pertence a Clinton (curiosíssimo a ideia de ter Bill como o “primeiro senhor”). A plataforma está montada, os Democratas estão de braços abertos, as mulheres estão prontas para votar em massa na primeira mulher Presidente na América. Até mesmo hoje (24 horas depois), no rescaldo das eleições todos os grandes “oultlets” de informação falam mais da Hillary do que do próprio Kerry. Isso se houver uma América para ela ganhar. E se eu acredito que Republicanos e Democratas teriam de fazer o mesmo em relação à guerra mundial que se trava neste momento, sem dúvida (e o vídeo de Osama Laden mostrou isso) mais 4 anos de Bush serão mais 4 anos de ódios e provações. Mas aqueles que odeiam a América, fariam igual, mesmo que fosse Kerry a ganhar.
Apontamento final. É histórico que quando os Republicanos estão no poder, a economia não é o ponto mais forte da governação. E qual é a melhor coisa que um estudante que vive a custa de EUROS pode ter? É quando transfere dinheiro de Portugal para a América ver que ganha mais dollars com menos EUROS. Só espero é que não hajam “11 de Setembros”, e que ao mesmo tempo, se derrote o terrorismo, se ganhe a paz no Médio Oriente, e que o mundo seja um lugar melhor.
