Tuesday, February 22, 2005

Convidado Especial

Resposta do meu amigo Miguel Carrasqueira (olá Carolina do Sul) ao meu último comentário aqui no blogue

passo a transcrever

"Carissimo, Depois de ler o teu omda relacionado com as eleicoes, tenho que tecer algumas consideracoes relativamente ao conteudo do mesmo. Primeiro, apesar de achar que Portugal precisava de uma mudanca de rumo, tenho sempre bastante receio relativamente a qualquer governo de maioria absoluta seja de que cor for. E sempre perigoso que um partido tenha o poder absoluto para executar as medidas que acha necessarias para o pais. Por causa desse unilateralismo, temos reformas que duram um ou dois mandatos (quando todos sabemos que qualquer reforma de fundo tem de ter o seu tempo para sabermos que nao estamos a jogar as vidas dos portugueses ao sabor do vento) e que nao sao feitas de acordo com o bem-estar do pais. La dizia Rousseau,"O poder corrompe; o poder absoluto corrompe absolutamente".

Segundo, concordo plenamente contigo quando afirmas que o nosso pais precisa de reformas de fundo. E necessario que todos (governantes e publico em geral) compreendam que o pais precisa de se modernizar para enfrentar a competitividade do mercado global (e falo apenas de economia, pois nada mais interssa no mundo capitalista em que vivemos); tal, claro, necessita de um forte movimento de unidade nacional (passe a linguagem revolucionaria) - ou seja, entendimentos de principio entre os principais governantes sobre a economia, o investimento(no estrangeiro e do estrangeiro), a educacao, a saude, a justica. Para que daqui a 4 anos, quando o povo portugues ja estiver farto destes governantes, nao seja necessario recomecar do zero. Infelizmente, o cenario que se apresenta e negro (OK,um cinzento carregado). Socrates e Santana detestam-se, PS e PSD nao se entendem, os chamados partidos pequenos nao podem funcionar como o fiel da balanca. Espero sinceramente que a minha 'analise politica' esteja errada e que tudo possa funcionar em condicoes minimas de estabilidade (para o pais e nao para o governo). Mas deixo aqui uma pequena consideracao: mais nome, menos nome, a equipa de Socrates assemelhar-se-a a de Guterres; e devemos lembrar-nos que os governos de Guterres foram os responsaveis por grande parte das nossas queixas do sistema. E duvido que as medidas propostas sejam diferentes ... So posso falar por experiencia propria da educacao, e nada de elogioso...

Quanto as tuas propostas de privatizacao de todos os servicos, e preciso ter muito cuidado com isso. Nao sou de 'esquerda' como tu gostas de dizer, mas tambem nao acho que a privatizacao (da saude, da seguranca social) seja a panaceia para todos os males. Ja ouvi falar de muitos prestadores de servicos privados que abriram falencia (verdadeira ou falsa, nao interessa), mas nunca ouvi dizer que o governo foi a falencia (nao quer dizer que seja impossivel...). Se deixamos o nosso futuro, a nossa reforma totalmente nas maos de privados, o que podera acontecer? Quanto ao servico de saude, e certo que o SNS nao e uma maravilha de organizacao (longe disso), mas por cada elogio relativamente ao sistema de saude americano (avanco tecnologico, competencia), quantas queixas ouves (precos, discriminacao, seguros)? E preciso avancar com muito cuidado nesses temas. E a vida de outras pessoas que pode estar em risco. Eu nao quero, num futuro, entrar num hospital e ser-me recusado tratamento por causa das coberturas do seguro.
Um abraco. Miguel

Sunday, February 20, 2005

Os próximos 4 anos

“Amigos e camaradas... conseguimos!”
Pois agora.
“Paulo Portas pede a demissão da liderança do PP.”
Ora, então.
“Santana quer continuar na Presidência do PSD.”
A sério?!
Ora bem. Numa noite onde estou distraído a ver o o All-Star Game tenho aqui o evoluir do resultado das eleições no meu colo (maravilhas da tecnologia, o meu Portátil aquece-me as pernas ao mesmo tempo que me mostra o futuro dos próximos 4 anos em Portugal).
Alguns desejos:
Que o PS não conduza o país para um precipício económico e social. O Socialismo tem de se aperceber que o Estado não pode suportar todos os serviços sociais que existem em Portugal. A Segurança Social, as reformas, o SNS. O sistema tem de se modernizar. Todos os serviços centralizados em sistemas puramente públicos é uma receita para o desastre. O cidadão deve ter a possibilidade de assegurar o seu futuro da maneira que achar melhor para si. E não estar amarrado a uma cultura comunista de o Estado como o grande regulador.
Que o próximo Governo tenha uma acção (finalmente) definitiva na educação. A todos os níveis. Desde a formação mais básica até a investigação mais avançada. Que haja uma política concertada na formação de recursos humanos. De quadros técnicos e profissionais. De ciência e tecnologia. Afinal o que define um país produtivo? Não é preciso viver na América para perceber isso.
Que o Guterrismo esteja definitivamente enterrado. Que Sócrates (apesar de alguma descrença generalizada) possa ser um governante sofrível, disciplinado e organizado. E que tome decisões. E que lidere as hostes. Uma vez que não é possível pedir muito mais a estes tecnocratas que se disfarçam de “pastores de rebanhos” (uma referência do JPC).
Que a direita se organize e se prepare para mais uma batalha daqui a 4 anos. Tal como o partido Democrata na América, o PSD precisa de uma nova direcção, de um novo “projecto”. De uma liderança carismática e forte. E não de tantas manobras de circo e de comédia “a Revista Portuguesa”.
Que o PP não desapareça com o caminhar para o por do sol do Portas. O Paulo é um “mal necessário” para um partido de direita tradicional. Um populista, verdade. Um demagogo, com certeza. Mas um homem inteligente e com visão. O PP é necessário em Portugal. Não se pode deixar essa opção política desaparecer.
E que todos nós possamos estar melhor num futuro tão próximo. E que Portugal consiga ser um país bom para regressar, no lugar de se emigrar.
Ricardo Silvestre

Conversa com o meu mano Daniel

Aqui fica um resumo de uma troca de e-mails com o meu muito inteligente, e crítico, mano Daniel. A bold as frases dele.

>já tenho o teu omda blog mas talvez pudesses actualizar mais vezes >talvez fazer um relatório sobre as eleições de amanha domingo.

Vou fazer o máximo para ter o meu OMDA fresquinho. Apesar de muitas vezes o tempo não ser muito para momentos de esse estilo de distracção.
Quanto ao relatório das eleições. Vai já de seguida.

>lá vai ser mais um dia daqueles para as televisões nacionais bombardearem os >pobres telespectadores de informação 24 horas desnecessária. ja que o Iraque o >Tsunami e a morte da irmã Lúcia não rendem é preciso arranjar mais alguma >coisa para falar.

Essa da irmã Lúcia então, prefiro não comentar. Se há uma mentira que foi bem montada, e preservada ao longo dos tempos, com todas as pessoas envolvidas devidamente controladas, foi a "aparição" da Virgem e os relatos dos meninos. Talvez um dia alguém fala nisso sem medos em Portugal.

>Pelo menos há um lado positivo nestas eleições pois assim que elas passarem só >vão ser dois dias do candidato vencedor a deitar o vencido a baixo antes de se >incubar dentro da sua carapaça e esperar lentamente que passem os 4 anos de >mandato enquanto vê as telenovelas da SIC e bebem martini com gelo. >

Quanto aos Martinis com gelo. Não sei se em Portugal não é mais chique beber caipirinhas. Bah!

>Depois a vida nacional vai voltar a sua mediocridade habitual, os portugueses >vao continuar pobres e a apertar o cinto,

Os Portugueses acabam por gostar de todas estas necessidades e "apertar de cinto". Os Portugueses gostam da histeria e do miserabilismo. Os Portugueses gostam da sensação de tragédia e de dramatismo. Se era a direita era porque era a direita, se é os Socialistas é porque é os Socialistas. Se não é a brejeirice do Santana é o automatismo do Sócrates. Portugal é um país excelente para novelas, que acabam por colocar todos em uma situação insustentável. Mas assim é a nossa nação, uma realidade sempre para o pior, e uma esperança infundada que o amanhã traga a redenção.

>o bloco de esquerda vai continuar a >mandar bocas ao novo governo e o Castelo branco vai lançar mais um livro >interessantíssimo em relação a sua vida.

Ora aí está duas coisas que podes bem “meter no mesmo saco”. Da histeria de uns a histeria do outro, acabam por ser duas faces de uma moeda Nacional. Por um lado a gritaria revolucionária e infantil, de outro lado o lixo da liberdade capitalista e da pobreza cultural.
Este é o nosso país. “Não saia de casa sem ele”.
Ate breve

Wednesday, February 16, 2005

Investigação em Portugal

Este é um excerto de uma "conversa" com uma pessoa amiga. Aplica-se, claro, a toda uma realidade Nacional.

"Entendo perfeitamente quando falas em pequenas "coisinhas". E quando elas não se transformam em grandes "coisinhas" já é uma sorte (ou talento teu em o evitar). Uma coisa que se aprende aqui na América é uma extrema racionalização do trabalho. Uma periodização férrea e organizada que não deixa espaço para essas pequenas coisinhas acontecerem. Em Portugal não existe essa cultura, culpa de uma maneira de se fazer as coisas no nosso país. Tem de haver uma prioridade na progressão científica, e as vezes isso não é evidente no mundo académico nacional.

Procura a publicação. Submete para apreciação numa revista de especialidade. Pensa sempre no desenvolvimento do teu currículo. Ainda por cima, neste momento é preciso esperar quase um ano e meio para ter um artigo publicado em revistas anexadas. Em Portugal não se aposta tanto na publicação de ciência como se devia. Faca o favor de quebrar essa tendência."

Ou então, calhar, sou eu que estou enganado.

Friday, February 11, 2005

Mulheres em 08

Interessantissimo!

Um analista politico aqui nos Estados Unidos prevê que a única maneira que os Republicanos têm para derrotar Hillary Clinton em 08 é concorrer com... Condeleza Rice! Uau! Duas mulheres à disputa do lugar de Presidente, e uma delas sendo de cor. Ui ui. Que mais estará para acontecer (como dizia o outro).

Wednesday, February 09, 2005

Será desta?

Bem, parece-me que a coisa está para o oficializado. Após conversa longa com o Orientador Jr. e com uma autoridade no assunto, dá a sensação que o tema da minha tese de Doutoramento está mais ou menos cinzelado. Portanto, a partir de agora, esta crónica vai ser eminentemente científica. Para aficionados (todos os outros podem fechar agora a janela que eu não fico chateado... a sério).

Lipémia pós-prandial. Estamos quase todo o dia neste estado. Tomamos pequeno-almoço, e depois mais um bolinho com o café ao meio da manhã, e depois mais um almoço regado, mais uma tosta mista ao final da tarde, e um jantar longo e bem nutrido. Quem não este estilo de alimentação diariamente, heim?

Pois bem, quando comemos, todos os açúcares, gorduras e proteína têm de ir para algum lado. Lógico. Se não, não se sobrevivia. Mas ao mesmo tempo, esta necessidade tão vital é um “assassino silencioso”. Quando temos todos esses produtos da alimentação a circular no nosso sangue (neste caso na forma de triglicéridos (TAG´s), empacotados em lipoproteínas) existem uma enzima que é responsável por resgatar esses TAG’s da circulação e interioriza-los para o tecido gordo, ou para o músculo, dependendo das necessidades energéticas de cada indivíduo. Essa enzima chama-se Lipoproteína Lípase (LPL). A LPL é ao mesmo tempo essencial para evitar que todos esses TAG’s andem demasiado tempo na circulação, e para assegurar que a troca de TAG´s por Colesterol não acontece nas lipoproteínas que são consideradas como causadoras de doença cardiovascular (as infames LDL, ou o “mau colesterol”).

Muito bem. Já se demonstrou que o exercício aumenta a expressão da LPL e como tal, ajuda a combater o excesso de TAG´s pós prandiais, e sendo assim, menos risco de doença. Mas 1) qual a extensão desse beneficio? E mais, 2) qual o timming correcto para se obter o máximo beneficio de fazer exercício antes de se comer?

O que propôs aqui o vosso amigo Americano. Estudar pela primeira vez nesta área, qual a resposta da artéria braquial (no braço, entre o ombro e o cotovelo) a uma refeição, após uma sessão de exercício (este estudo é suportado por imensos estudos na área da nutrição que estudam o efeito de vários tipos de refeição na dilatação da artéria em resposta a TAG´s, mas nenhum deles com exercício). E coordenar o tempo da refeição com a sessão de treino de modo a ver qual a melhor altura para uma pessoa treinar e depois ver as reduções dos TAG´s. Também aqui a minha proposta é nova, uma vez que toda a gente que têm estudado exercício e lipémia pós-prandial têm estado a estudar “janelas de tempo” que (podem ser) não as mais indicadas, uma vez que todos os autores têm estudado efeitos do exercício numa refeição... têm a refeição 16 horas depois do exercício. Quando (e na tal conversa com a autoridade no assunto – um médico cardiologista) a melhor janela para se estudar a acção da LPL é... 5 horas depois do exercício! Ahhhh! Aqui o vosso cientista favorito não se quer gabar de ver aquilo que os outros não vêem... mas até dá a sensação que é assim mesmo. E parece que estou a brincar... mas não estou mesmo.

Isto é uma versão muito reduzida, claro. Ficava aqui horas a contar a história toda. Mas quem quiser pormenores... ricsilvestre@hotmail.com o vosso fisiologista de serviço.

Até breve

Saturday, February 05, 2005

Domingo de folga (nem tanto assim)

Hoje é dia de “Super Saladeira”. Para aqueles que já conhecem os meus disparates, esta é a tradução “livre” da expressão em Inglês - Super Bowl. O SB, arrisco-me a dizer é o dia mais importante na América a seguir ao 4 de Julho (Dia da Independência). Mas também isso é história antiga. O que é sempre moderno é a paranóia Americana, ou neste caso, os traços da paranóia puritana. O ano passado escrevi sobre o que aconteceu por causa da mama da Janet, e como os USA estavam para acabar como nação por causa de uma brincadeira parva da Miss Jackson e do TimberLakers. Claro que este ano, não me admira nada (só me entristece) que num dos noticiários da FOX News (também não podia ser de outra cadeia televisiva) se dê especial atenção a uma “comissão de pais e professores” que vai, e passo a citar “acompanhar com redobrada atenção o intervalo do jogo para ver se algo de ofensivo irá acontecer”...??!??!?! Com o Paul McCartney a tocar?!!? You got to be fuc#ing kidding me!!! Só se Sir Paul tiver uma camisola a dizer “Yoko Ono is a ho”. Come on!!

Enfim. Exageros, numa sociedade onde o sexo é comercializado, neste caso com um dos canais de cabo que têm para oferta o “Lingerie Bowl” (ver aqui), que como se imagina, só os adultos irão ver... pois.

Este é também o país onde os exageros que deviam ser punidos, não são. Este "senhor" teve o mau gosto de fazer esta comparação (em breve, achou muito bem que as Torres Gémeas tivessem sido atacadas, porque os que lá trabalhavam eram como os Nazis que deportavam Judeus para os campos de concentração) e claro, está protegido pela primeira emenda da Constituição, que abriga estes abusos de liberdade.

Moral da história? Não há. Apenas uma sociedade que tenta encontrar orientações onde não há orientações para encontrar, e que tenta assimilar mesmo aquilo que é de condenar.

E já agora... Go Pats! That is, the New England Patriots (os vizinhos aqui de cima).

E até segunda. Escrevam!

Thursday, February 03, 2005

mais política

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. Que bom receber uma avalanche de e-mails a responder aos meus OMDA. Até parece os bons velhos tempos. Ahh, que luxo. Um obrigado grande a todos aqueles que me escreveram (e como podem ver resposta imediata). Por favor continuem assim. É excelente.

Tal como escrevi ontem, aqui fica mais um excerto de uma dessas “conversas” por e-mail.
De mais uma pessoa amiga.

“Ainda bem que tens acompanhado as notícias e novidades políticas em Portugal. Isto, de facto, só visto, pois contado é difícil de acreditar! Em resposta à tua pergunta (ou provocação), devo dizer que "o pessoal de esquerda" não está nem mais nem menos satisfeito com as eleições no Iraque que quaisquer outros, e o mesmo se pode dizer sobre as (pré)campanhas para as eleições portuguesas. Cada vez mais ouço amigos meus "de direita" a dizer "votar naquele palhaço não consigo, por isso vou acabar por votar CDS/PP", enquanto que os meus amigos "de esquerda" dizem "apoiar a máquina socialista como está é que não, mais vale votar BE"! Está tudo louco (ou desiludido), o que na prática deve dar uma grande confusão no dia 20 de Fev. Cá estaremos para ver!”
Resposta minha:

“Ahahaha. Curioso! Que haja um eleitorado a fugir do bloco central, a mim não me admira nada. Alias o PS e o PSD começam a ser imagens um do outro, com a franja mais à esquerda do PS a ser afastada (repara no Alegre e no Soares como eles não conseguiram bater o Sócrates), e a facção mais a direita do PSD a ser relegada para o anonimato. Não consigo pensar em ninguém do PSD que seja perto do PP (alias basta ver em cada Congresso como eles reagem a aproximações com os Populares). A outra coisa que incomoda é ter de pensar no Lopes ou no Sócrates como Primeiros-ministros. Ate me arrepia. Juntamente com o Portas, os partidos que tem capacidade de governar Portugal são controlados por demagogos, arrivistas e tecnocratas. Mas também por outra lado, a esquerda é dirigida por lunáticos, ultrapassados e inconscientes”

E pronto. Este tópico não se esgota assim tão facilmente, mas há certas coisas que são autênticas montanhas para se mover. Por aqui há uma discussão interessante sobre o sistema de segurança social. E se esse é um tema quente aqui, imaginem como seria num país como Portugal. Era fechar a “tasca” para balanço.

Espero que esteja tudo bem por aí. Continuem a fazer-se presentes. Até breve.

Wednesday, February 02, 2005

Emigrações

Escrevia-me uma pessoa amiga no outro dia

“Bom dia Ricardo!
Gostei de te ver entusiasmado, cheio de boas ideias (e bem importantes) e com muita vontade de mostrares ao mundo quem és e o que esta a fazer. Por cá, a coisa definha. País mais difícil de por alguém a mexer não deve haver. Realmente 2005 parece-me ser um bom ano para emigrar.
Beijinhos um bocadinho deprimidos....”


Resposta minha:

Olá, olá
Constrange-me essa "depressão". Ainda por cima vindo de ti, que és, sem duvida, uma pessoa tão alegre e dinâmica.
Que posso eu dizer que tu já não tenhas pensado um milhão de vezes? Que eh preciso acreditar que as coisas vão mudar? Que não podemos nos deixar abater pelo estado das coisas? Tudo banalidades num Portugal cada vez mais medíocre e desnorteado.
Preocupa-me que pessoas que eu conheço estejam suavemente a desejar que eu fique por terras distantes, a triunfar no mundo académico e científico. Eu, apesar dos encantos dos Estados Unidos, tenciono dar uma oportunidade a Portugal. Talvez encontrar um nicho de acção no nosso país, e poder fazer a diferença, mesmo por mais pequena que seja. Penso assim agora. Vamos a ver como será no futuro.
Apesar da dificuldade e da exaustão, talvez eu consiga confirmar para alem do sucesso na America ja alcancado, que possa ter também sucesso em Portugal.
So be it.
Um beijo. E como diz Tim Robbins no filme "The Shawshank Redemption" - "Hope is a good thing. Maybe the best of things. And no good thing ever dies"
Ate breve”

E pronto. O que acrescentar ao que já escrevi? Que realmente é uma pena que o sistema que existe em Portugal se encarregue de tirar a vivacidade até as pessoas mais brilhantes? Que é preciso uma mudança de pensamento, de atitude na nossa nação. Que fazem falta pessoas competentes para dirigir os nossos destinos?

Noutros assuntos mais corriqueiros. Tive uma maratona de análises clínicas da Hormona de Crescimento, que apesar de ter passado o tempo todos sentado, parece que acabei de correr a meia maratona de Lisboa. Uffff. Tanto sangue, tanta enzima, tanto reagente, tanta precisão. Parece que estive a fazer o raio da análise dois dias seguidos. Arre! Momento mais brilhante, uma das análises, tal como se suspeitava por causa de um teste anterior, as amostras que foram testadas não tinham activa a hormona. Resultado, 4 horas de trabalho, para vir o Professor e dizer “ah, pois é, realmente não se consegue avaliar a concentração da hormona, pode-se deitar as amostras para o lixo”. Aiiiiiiiiiiii!

Amanha, mais uma resposta a um e-mail super interessante que vêm desse lado do Atlântico.

Ate já