Emigrações
Escrevia-me uma pessoa amiga no outro dia
“Bom dia Ricardo!
Gostei de te ver entusiasmado, cheio de boas ideias (e bem importantes) e com muita vontade de mostrares ao mundo quem és e o que esta a fazer. Por cá, a coisa definha. País mais difícil de por alguém a mexer não deve haver. Realmente 2005 parece-me ser um bom ano para emigrar.
Beijinhos um bocadinho deprimidos....”
Resposta minha:
“Olá, olá
Constrange-me essa "depressão". Ainda por cima vindo de ti, que és, sem duvida, uma pessoa tão alegre e dinâmica.
Que posso eu dizer que tu já não tenhas pensado um milhão de vezes? Que eh preciso acreditar que as coisas vão mudar? Que não podemos nos deixar abater pelo estado das coisas? Tudo banalidades num Portugal cada vez mais medíocre e desnorteado.
Preocupa-me que pessoas que eu conheço estejam suavemente a desejar que eu fique por terras distantes, a triunfar no mundo académico e científico. Eu, apesar dos encantos dos Estados Unidos, tenciono dar uma oportunidade a Portugal. Talvez encontrar um nicho de acção no nosso país, e poder fazer a diferença, mesmo por mais pequena que seja. Penso assim agora. Vamos a ver como será no futuro.
Apesar da dificuldade e da exaustão, talvez eu consiga confirmar para alem do sucesso na America ja alcancado, que possa ter também sucesso em Portugal.
So be it.
Um beijo. E como diz Tim Robbins no filme "The Shawshank Redemption" - "Hope is a good thing. Maybe the best of things. And no good thing ever dies"
Ate breve”
E pronto. O que acrescentar ao que já escrevi? Que realmente é uma pena que o sistema que existe em Portugal se encarregue de tirar a vivacidade até as pessoas mais brilhantes? Que é preciso uma mudança de pensamento, de atitude na nossa nação. Que fazem falta pessoas competentes para dirigir os nossos destinos?
Noutros assuntos mais corriqueiros. Tive uma maratona de análises clínicas da Hormona de Crescimento, que apesar de ter passado o tempo todos sentado, parece que acabei de correr a meia maratona de Lisboa. Uffff. Tanto sangue, tanta enzima, tanto reagente, tanta precisão. Parece que estive a fazer o raio da análise dois dias seguidos. Arre! Momento mais brilhante, uma das análises, tal como se suspeitava por causa de um teste anterior, as amostras que foram testadas não tinham activa a hormona. Resultado, 4 horas de trabalho, para vir o Professor e dizer “ah, pois é, realmente não se consegue avaliar a concentração da hormona, pode-se deitar as amostras para o lixo”. Aiiiiiiiiiiii!
Amanha, mais uma resposta a um e-mail super interessante que vêm desse lado do Atlântico.
Ate já

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