Wednesday, February 09, 2005

Será desta?

Bem, parece-me que a coisa está para o oficializado. Após conversa longa com o Orientador Jr. e com uma autoridade no assunto, dá a sensação que o tema da minha tese de Doutoramento está mais ou menos cinzelado. Portanto, a partir de agora, esta crónica vai ser eminentemente científica. Para aficionados (todos os outros podem fechar agora a janela que eu não fico chateado... a sério).

Lipémia pós-prandial. Estamos quase todo o dia neste estado. Tomamos pequeno-almoço, e depois mais um bolinho com o café ao meio da manhã, e depois mais um almoço regado, mais uma tosta mista ao final da tarde, e um jantar longo e bem nutrido. Quem não este estilo de alimentação diariamente, heim?

Pois bem, quando comemos, todos os açúcares, gorduras e proteína têm de ir para algum lado. Lógico. Se não, não se sobrevivia. Mas ao mesmo tempo, esta necessidade tão vital é um “assassino silencioso”. Quando temos todos esses produtos da alimentação a circular no nosso sangue (neste caso na forma de triglicéridos (TAG´s), empacotados em lipoproteínas) existem uma enzima que é responsável por resgatar esses TAG’s da circulação e interioriza-los para o tecido gordo, ou para o músculo, dependendo das necessidades energéticas de cada indivíduo. Essa enzima chama-se Lipoproteína Lípase (LPL). A LPL é ao mesmo tempo essencial para evitar que todos esses TAG’s andem demasiado tempo na circulação, e para assegurar que a troca de TAG´s por Colesterol não acontece nas lipoproteínas que são consideradas como causadoras de doença cardiovascular (as infames LDL, ou o “mau colesterol”).

Muito bem. Já se demonstrou que o exercício aumenta a expressão da LPL e como tal, ajuda a combater o excesso de TAG´s pós prandiais, e sendo assim, menos risco de doença. Mas 1) qual a extensão desse beneficio? E mais, 2) qual o timming correcto para se obter o máximo beneficio de fazer exercício antes de se comer?

O que propôs aqui o vosso amigo Americano. Estudar pela primeira vez nesta área, qual a resposta da artéria braquial (no braço, entre o ombro e o cotovelo) a uma refeição, após uma sessão de exercício (este estudo é suportado por imensos estudos na área da nutrição que estudam o efeito de vários tipos de refeição na dilatação da artéria em resposta a TAG´s, mas nenhum deles com exercício). E coordenar o tempo da refeição com a sessão de treino de modo a ver qual a melhor altura para uma pessoa treinar e depois ver as reduções dos TAG´s. Também aqui a minha proposta é nova, uma vez que toda a gente que têm estudado exercício e lipémia pós-prandial têm estado a estudar “janelas de tempo” que (podem ser) não as mais indicadas, uma vez que todos os autores têm estudado efeitos do exercício numa refeição... têm a refeição 16 horas depois do exercício. Quando (e na tal conversa com a autoridade no assunto – um médico cardiologista) a melhor janela para se estudar a acção da LPL é... 5 horas depois do exercício! Ahhhh! Aqui o vosso cientista favorito não se quer gabar de ver aquilo que os outros não vêem... mas até dá a sensação que é assim mesmo. E parece que estou a brincar... mas não estou mesmo.

Isto é uma versão muito reduzida, claro. Ficava aqui horas a contar a história toda. Mas quem quiser pormenores... ricsilvestre@hotmail.com o vosso fisiologista de serviço.

Até breve

0 Comments:

Post a Comment

<< Home