Tuesday, June 28, 2005

Draft NBA

Estou a ver um espectáculo televisivo que durante muitos anos tive vontade de ver ao vivo (ou mesmo em indeferido), mas que em Portugal nunca tive oportunidade. O Draft da NBA. Para alguns que estão a ler estas linhas, já sabem do que estou a falar. Para aqueles que não sabem, este é o momento em que as empresas que passam por equipas de desporto no Basquete Profissional Americano escolhem os melhores jogadores em princípio de carreira para irem ganhar milhões de dólares para meter uma bola num cesto. E alguns nem isso fazem. Mas isso é inveja da minha parte a falar.

Duas notas que me ocorrem desta noite de fatos de 3 peças que medem 2 metros e de bonés coloridos (mais referências obscuras que só os fanáticos da NBA entendem).

1. Mama! Mama. Mama (para ler com sotaque negro do Brooklin). Mama is always there. A abraçar o filho pela cintura, a dar beijos molhados de lágrimas, a meter as mãos à cara com expressões de alegria. Mamutes com cabeleiras fartas e vestidos ridículos. Com ouros nos dedos e diamantes a espreitar nos peitos gigantes. Mamas que os filhos agradecem antes de agradecer as esposas, ao pai e ao Deus todo poderoso. E as mamas continuam a chorar, a acenar para os filhos com as largas mãos negras e com unhas pintadas de vermelho. “Sem a minha mãe não estava aqui”. “Devo tudo a minha mãe”. “Mama I love you”. Nota interessante, os jogadores brancos que foram escolhidos, apertam as mãos aos seus agentes e publicistas. Mas, ei, Mama knows best. E depois ainda se pergunta o porque das mulheres desprezam essa característica de alguns homens. Excepto as mamas, claro.

2. “Com a selecção número 11 a equipa de Orlando escolhe um Espanhol”. “Com a selecção número 12 a equipa de Los Angeles escolhe um Russo”. Pandemónio no anfiteatro. O comentador passa a palavra aos analistas em serviço (assim como se vê quando é as eleições em Portugal), estes últimos não conseguem respirar, as faces vermelhas de fúria, a boca a espumar, os olhos a sair das órbitas. Dois Europeus em números tão elevados?! Que horror! Que catástrofe nacional. Que ignomínia. Um dos analistas até quase se levantava da cadeira para sair do palco em sinal de protesto. Para continuar o circo, o analista seguinte (por satélite) gesticula, esbraceja, cospe maldições para os donos das equipas, para os treinadores das equipas, que vão todos assar no Inferno, e que as equipas deles irão ser engolidas para tremores de terra sucessivos. Por momentos o senhor, que digamos, é uma versão mais antiga, mas igualmente chata e insuportável de um Gabriel Alves (mas do basquete, claro) quase que se transmitia por ondas de TV para o anfiteatro para dar uns estalos nesses Europeus que têm a mania que podem vir para os USA jogar. Claro que a mim, não me surpreende. Estou muito habituado a ver este estilo de chauvinismo Americano.

Já para não falar em outros chauvinismos que iriam fazer as delicias dos meus amigos de esquerda que lêem estas listas.

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