extraordinário
Curioso como certas coisas são. Conheci esta quinta-feira a pessoa mais rica com que alguma vez tive a oportunidade de ter contacto. O director da empresa farmacêutica Pfizer. O Dr Roger Newton ajudou a empresa a tornar-se uma das mais bem sucedidas na bolsa de valores de Wall Steet ajudando a criar a patente clínica do medicamento Lipitor, que é o medicamento mais vendido nos USA para o combate ao excesso de colesterol. A Pfizer passou de uma empresa média, para uma empresa com orçamentos anuais na ordem dos 300 biliões de dollares (só o orçamento para investigação na área do colesterol é de 800 milhões). Não satisfeito na altura em que trabalhava como químico com a direcção que a empresa estava a tomar, Dr Newton resolveu abandonar o fabuloso emprego que tinha para começar o seu próprio negócio, neste caso formando uma empresa que produz uma versão sintética da lipoproteína HDL (também conhecida como o “bom colesterol”). Parte engraçada da história, a empresa que ele criou acabou por ser comprada pela própria Pfizer por um valor de... 1.3 biliões de dollars (ver aqui ). Portanto, estamos a falar de: uma pessoa que pode ser considerada como genial, um “entrepeunor” extraordinário, e um multimilionário, que terá seguramente mais dinheiro que o papa.
Convidado pela Universidade de Connecticut e pelo Departamento de Nutrição, uma das exigências do Dr Newton foi... de falar com os alunos de Doutoramento, ver o que eles estão a estudar, quais os projectos de investigação que lideram. Como o meu orientador Jr. trabalha muito com o Dept. de Nutrição, e como eu estou no processo de começar o meu projecto de Doutoramento, fui também convidado para apresentar o que me proponho estudar.
Num ambiente totalmente descontraído, esta pessoa, que se quisesse nos “comprava e vendia” a todos umas 100 ou 200 vezes, sentado de perna traçada, atento, brincalhão, interessado, a querer saber quem era o aluno a sua frente, quais as suas motivações, quais os seus planos, a acompanhar com entusiasmo a apresentação do aluno, intervindo aqui e ali com uma pergunta ou uma sugestão. Agradecendo a apresentação do estudante, desejando boa sorte.
Este homem, se não quisesse se reunir com os alunos, ninguém o criticava. Se ele quisesse podia ter feito a sua apresentação para que foi convidado, tinha ido almoçar com as chefias, e tinha se enfiado na limusina em direcção ao aeroporto onde estava a o seu jacto privado. Mas não. Uma simpatia, uma disponibilidade, um entusiasmo inacreditável.
Quem me dera que fosse sempre assim.
