if youuure goooing to Sann Fraaanciscooo (parte3)
Este é uma daqueles OMDA´s que tem de ser dividido em partes, uma vez que é muita coisa junta para se contar de uma vez só.
Estou a escrever estas linhas no SFO, que é a abreviatura do aeroporto aqui de San Francisco (SF a partir de agora). Mais uma vez o tempo estendeu-se quando estou por estas aventuras Americanas, e o que foram 4 dias parece que foram… 14.
Chego a SF num Domingo com um dilúvio de proporções bíblicas. O transporte que me leva para o hotel fica preso num engarrafamento; 8 carros estão enfiados uns nos outros numa super auto-estrada de 6 faixas. Há que dizer que não é uma primeira impressão lá muito simpática.
Quando chego ao hotel, reparo que existe um dinner do outro lado da rua, um daqueles restaurantes a “Americana” mesmo. Mas isto é SF e certas cosias aqui serão diferentes do que o costume. Quando entro na casa de banho para lavar as mãos sou rodeado com um cheiro a charro que até fiquei tonto. Ainda bem que já estava cheio de fome, assim sendo, não houve mais nenhum efeito para além da náusea instantânea. Welcome to SF.
Vamos dar um passo atrás aqui. Eu fui “avisado” sobre várias coisas aqui nesta cidade: a cultura gay, algum liberalismo sexual, e claro, menos restrições a nível de “entretenimento”. Todas essas coisas se concretizaram. Alias, algumas concretizaram-se demais. Mas já lá vamos.
SF é muito parecida com Lisboa… e com o Porto, e as vezes com Sines. É uma cidade costeira, com grandes docas que podem ser locais muito turísticos, ou então verdadeiros portos de entrada de material do outro lado do Pacifico. As ruas são muito parecidas com aquilo que estamos habituados a ver nos filmes, de deixar a rua de São Bento para a Estrela a morrer de inveja. A inclinação é incrível, ao ponto de fazer qualquer turista a pensar que o melhor negócio que pode haver em SF é arranjar travões e calços para os carros.
Existe um trolley (novamente como se vê nos filmes) que serve parte da cidade com uma eficiência de notar. E depois existem uns metros que servem as periferias da cidade, que se estendem até ao mar. Seria o equivalente a apanhar um eléctrico de em Cascais e parar no Guincho, passando pela Malveira da Serra.
A cidade não é como as grandes metrópoles Americanas (penso em NY, LA, Dallas, Miami). Na verdade é muito modesta, no tamanho das ruas, dos prédios, e principalmente das casas. Nada de blocos de apartamentos. Aqui toda a gente tem uma casa, pequena para os padrões Americanos, mas de qualquer forma uma casa, com múltiplas janelas para a rua, e com o portão da garagem sempre omnipresente.
Miguel, toma nota. Existem várias zonas para diferentes grupos. Existe o bairro Russo, Chinatown, Japan Center, North Beach que é o bairro Italiano, e mais um ou dois que são pequenos demais para aparecer no mapa, mas que se acaba por descobrir aqui e ali. A outra coisa que se nota é a simbiose cultural deste sítio. Muitos locais para ouvir música, ou ver teatro, ou comer uma refeição exótica. Muitos lugares para conhecer gente diferente, para trocar experiências, sendo elas quais forem.
Sente-se muito mais em NY a presença gay. É fácil distinguir os casais do mesmo sexo a passearem juntos. Pelo outro lado, SF é mais uma cidade de famílias gay, com os pais e os pais, e as mães e as mães. De qualquer maneira, foi-me um pouco difícil suportar tanto flirt… masculino. Verdade que não sou nenhum Brad Pitt, mas tive uns quantos olhares indiscretos por parte de meninos que me deixam sempre enervado. Vocês sabem o quanto eu sou heterossexual, e ver um homem a olhar para mm faz-me sentir mal. A solução era enterrar o boné pela cabeça a baixo e fingir que não era nada comigo.
Quanto as meninas, muitas eram altas, magras e bonitas. Uh, uh. Já estão a imaginar o meu estado de delírio, mas como me disse uma amiga minha ao telefone “sim, elas são bonitas, mas também são todas gay”. Ora bolas. Quer dizer, mudar para SF era uma boa ideia porque os homens não gostam de mulheres… mas depois elas também não gostam deles. Bah.
Estou a brincar claro. Mas uma coisa muito agradável em SF, é que, ao contrário da Costa Este e do Midwest Americano, onde olhar para uma pessoa com atenção é quase a pedir para nos arrancarem os olhos, em SF, tanto elas como eles, olham descaradamente… assim à Lx. Ai, que saudades.

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